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O leãozinho tem alguém?

Segundo sei, fui uma criança que chorou muito pois tinha prisão de ventre. Bom, como iria chorar? Talvez, ali... Aquela criança já soubesse tudo, já sentisse tudo que veio em seu sangue. Acho incrível como a única pessoa que tenho apenas boas memórias é meu avô, que perdi muito cedo, são poucas as coisas que lembro e mesmo assim me trazem muito conforto. Eu não dormia sozinho, dormia com meus avós, no meio deles até o dia que perdi isso, gostava do tecido das roupas do meu avô, até hoje não esqueço de como eram bom de alisar. Minha vó, não tinha proximidade, após a morte do meu avô, minhas memórias são basicamente dela indo para o bingo e vendo novelas. A morte do meu avô marcou profundamente a minha vida. Senti como se, junto com ele, minhas chances de um futuro mais feliz também tivessem se ido.

Nasce um leão, mas sem sol

Tudo começou como tudo praticamente começa na vida de uma pessoa autista, de forma inesperada, em mais um dia aparentemente normal na serra gaúcha. Não pedi para nascer, e a verdade é que não escolhi meus pais. A figura paterna, especialmente, foi e continua ausente, causou muita dor no passado, mas com o tempo fui nitrindo algum tipo de ódio e na vida adulta passou a receber meu sentimento de desprezo. Sobre minha mãe, as lembranças são nebulosas, um misto de esperança constante e desilusão acima de tudo. Trinta e cinco invernos se passaram desde aquele dia. Nasci autista, diferente, e nunca me encaixei nos padrões que a sociedade espera. Se pudesse escolher, não teria vindo para este mundo tão cruel e confuso. Para aliviar a dor, uso o humor como escudo, fazendo piadas de mim mesmo. É uma forma de me conectar com as pessoas e encontrar algum conforto, mesmo que seja momentâneo. Minha vida foi marcada por turbulências desde o início. Não fui desejado, fui motivo de brigas e sofrimento...